Ontem , domingo, foi dedicado ao BTT.
Oitenta e oito Km a pedalar (Pias - Moura - Beja) perto ou por cima daquilo que foi a linha de caminho de ferro.
O passeio foi espectacular. Os trilhos percorridos, a paisagem, o convivio (mais de 80 participantes) foram mais que suficientes para esquecer as dificuldades que tivemos de superar para percorrer tantos Kilometros.
Nós fizemos o que era possível, de forma voluntária e salutar, provámos que é possivel transformar a velha via ferroviária num trilho onde se possa passear, conviver e contactar com a natureza, agora falta que as autarquias de Moura,Serpa e Beja se unam à Refer e tranformem este percurso numa eco pista que seja mais um polo de atracção turistica para esta região
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terça-feira, 30 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
PRECE AO SOL
Mais um poema. Um soneto escrito em 1962 tal como este ano as chuvas foram muitas e o rareou nos céus doAlentejo
Que saudades eu tinha já do Sol,...
desse feiticeiro que faz os dias belos.
Que faz brotar da terra os cogumelos,
que faz cantar, à noite , o rouxinol.
Que faz esquecer em nós os pesadelos
da noite agreste, sem luz nem arrebol.
Soam de novo, nas safras, os martelos,
arados, enterram o grão e o girasol.
Sol! És um Deus que eu estou contemplando!
Repara em mim que estou p'ra ti rezando,
com fé , que a minha prece seja ouvida.
Fecunda, só com o teu amor ardente
a terra negra, o trigo, esta semente.
Que a semente do ódio seja perdida.
Romão Moita Mariano in «a malhar em ferro quente»
Que saudades eu tinha já do Sol,...
desse feiticeiro que faz os dias belos.
Que faz brotar da terra os cogumelos,
que faz cantar, à noite , o rouxinol.
Que faz esquecer em nós os pesadelos
da noite agreste, sem luz nem arrebol.
Soam de novo, nas safras, os martelos,
arados, enterram o grão e o girasol.
Sol! És um Deus que eu estou contemplando!
Repara em mim que estou p'ra ti rezando,
com fé , que a minha prece seja ouvida.
Fecunda, só com o teu amor ardente
a terra negra, o trigo, esta semente.
Que a semente do ódio seja perdida.
Romão Moita Mariano in «a malhar em ferro quente»
terça-feira, 17 de março de 2009
Outro poema do meu pai
Montinhos do Alentejo
Casas branquinhas num cabeço assentes,
uma posta aqui, outra lá distante.
A porta virada para o Sol nascente,
são ninhos serenos duma paz constante.
Patos e galinhas, um galo chinês,
dois perus vaidosos, um todo arrufado!
Três cabras serranas, um gato montês,
quatro ovelhas mansas e um burro malhado.
Um cão junto à porta preso a uma corrente,
na lareira arde a lenha de azinho.
A tia Jacinta está toda contente,
porque a burra preta teve outro burrinho.
Sobre a mesa roxa, a fotografia
dos caseiros,no dia em que se casaram,
uma velha imagem de Santa Maria
e um rosário de contas que os dedos gastaram.
A Tia Jacinta com os olhos nos netos
faz a sua meia com linha grosseira,
é que o raio dos moços são irrequietos,
os pais estão longe, é dela a canseira.
Num tosco cabide está a caçadeira,
tem lá dois cartuxos, já sem carga,
um colete gasto, roto na algibeira
e um chapéu, coçado, preto, de aba larga.
Um poial corrido com loiça de barro
um velho baú forrado de pele,
o corno do sal, uma foice, um tarro
um jarrão azul e o boião do mel.
A porta do quarto é uma cortina,
a cama é antiga de ferro pintada.
Na mala da roupa está a concertina,
que já desafina por não ser tocada.
Há duas enxadas e m enxadão,
na cabana, a um canto, junto aos animais,
os seus novos donos estão na emigração
e o Tio Zé já disse que não cava mais.
É este o retrato dos brancos montinhos
do meu Alentejo, na hora actual,
vai-se a gente nova, ficam os velhinhos
e, fica mais pobre este Portugal.
Romão Moita Mariano «a malhar em ferro quente»
Casas branquinhas num cabeço assentes,
uma posta aqui, outra lá distante.
A porta virada para o Sol nascente,
são ninhos serenos duma paz constante.
Patos e galinhas, um galo chinês,
dois perus vaidosos, um todo arrufado!
Três cabras serranas, um gato montês,
quatro ovelhas mansas e um burro malhado.
Um cão junto à porta preso a uma corrente,
na lareira arde a lenha de azinho.
A tia Jacinta está toda contente,
porque a burra preta teve outro burrinho.
Sobre a mesa roxa, a fotografia
dos caseiros,no dia em que se casaram,
uma velha imagem de Santa Maria
e um rosário de contas que os dedos gastaram.
A Tia Jacinta com os olhos nos netos
faz a sua meia com linha grosseira,
é que o raio dos moços são irrequietos,
os pais estão longe, é dela a canseira.
Num tosco cabide está a caçadeira,
tem lá dois cartuxos, já sem carga,
um colete gasto, roto na algibeira
e um chapéu, coçado, preto, de aba larga.
Um poial corrido com loiça de barro
um velho baú forrado de pele,
o corno do sal, uma foice, um tarro
um jarrão azul e o boião do mel.
A porta do quarto é uma cortina,
a cama é antiga de ferro pintada.
Na mala da roupa está a concertina,
que já desafina por não ser tocada.
Há duas enxadas e m enxadão,
na cabana, a um canto, junto aos animais,
os seus novos donos estão na emigração
e o Tio Zé já disse que não cava mais.
É este o retrato dos brancos montinhos
do meu Alentejo, na hora actual,
vai-se a gente nova, ficam os velhinhos
e, fica mais pobre este Portugal.
Romão Moita Mariano «a malhar em ferro quente»
segunda-feira, 2 de março de 2009
BTT uma paixão
Ontem, Domingo, aproveitando um convite vindo de Ficalho, fui juntamente com uns amigos, amantes do desporto aventura , pedalar.
O percurso foi deslumbrante, entre campos floridos e montes abandonados, por barrancos e riachos em trilhos, ora sepentenando as inúmeras elevações ora rolando pelas zonas mais planas.
No final , e antes de um agradável almoço , tipicamente alentejano, servido num monte secular no sopé da Serra de Ficalho, não faltou a chuva, forte e intensa, a arrastar consigo lama e outros detritos que ainda dificultavam mais as pedaladas finais.
Mais um dia de campo, de bicicletas , de convivio e de descoberta.
Mais um passeio, por montes e vales deste Alentejo , onde a beleza da paisagem supera o esforço físico, onde o convivio a amizade superam as dificuldades inerentes a este desporto.
Valeu a pena Domingo haverá mais...
O percurso foi deslumbrante, entre campos floridos e montes abandonados, por barrancos e riachos em trilhos, ora sepentenando as inúmeras elevações ora rolando pelas zonas mais planas.
No final , e antes de um agradável almoço , tipicamente alentejano, servido num monte secular no sopé da Serra de Ficalho, não faltou a chuva, forte e intensa, a arrastar consigo lama e outros detritos que ainda dificultavam mais as pedaladas finais.
Mais um dia de campo, de bicicletas , de convivio e de descoberta.
Mais um passeio, por montes e vales deste Alentejo , onde a beleza da paisagem supera o esforço físico, onde o convivio a amizade superam as dificuldades inerentes a este desporto.
Valeu a pena Domingo haverá mais...
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